Feio Tomaz, Luthier Piracicabano já é uma referência no mercado da Música nacional

Por Marcelo Alessandro 13/07/2020 - 13:16 hs
Foto: Assessoria Feio Tomaz
Feio Tomaz, Luthier Piracicabano já é uma referência no mercado da Música nacional
Feio fez da Profissão de Luthier uma paixão. Cada trabalho, uma arte que nasce!

Entrevista com Feio Tomaz

Luthier do Ateliê Feio Tomaz, é Piracicabano e encontrou na Fabricação de Instrumentos Musicais sua grande paixão e fez dela Profissão.

O Piracicaba News trocou uma idéia sensacional com o Luthier Feio Tomaz. O cara já é referência entre os profissionais da área no Brasil, apaixonado por Música e Artes e gente finíssima. Feio nos apresentou essa linda profissão. Confira o bate-papo:

PN - Feio, antes de ser um Luthier, você tem uma ligação muito forte com a música. Conta um pouco sobre essa ligação que começou cedo pra gente.

FEIO - Fala, Marcelão e galera do Piracicaba News. Amo música desde muito garoto. Quando eu tinha por volta de 10, 12 anos fui apresentado ao rock e foi amor à primeira ouvida. Eu era aquele moleque que ficava andando com discos e fitas de um lado pro outro, mostrando aos amigos as maravilhas que estava descobrindo e implorando por mais coisas novas. E, para um garoto que estava conhecendo o mundo, tudo era “novidade”, inclusive ouvir pela primeira vez bandas que já tinham 20 ou 30 anos de estrada...

A gente ficava ligado em tudo que estava disponível. A rádio nem sempre (ou quase nunca) tocava o estilo que a gente curtia. Era tudo muito diferente, não tinha internet pra ficar antenado nas novidades como é hoje.

E vou entregar uma história nossa aqui: nas noites que você estava com a programação livre na rádio a gente deitava e rolava com os rocks que tinha à disposição. Era muito divertido achar um disco do Led Zeppelin ou Pink Floyd perdido e colocar pra tocar. hahahahaha

PN - Ainda sobre a sua relação com a música, você também foi Gerente de loja de discos, e integrou algumas bandas. Quais são suas influências musicais, o que é música boa pra você e o que você como construtor de instrumento ouve e acha legal hoje?

FEIO - Sim, tive a maravilhosa oportunidade de trabalhar numa loja de discos. É sensacional poder ficar o dia todo trocando informações com fãs de música de todos os estilos. Tentar entender e aprender como e porquê aquelas pessoas têm suas vidas guiadas e modificadas pela música foi uma experiência memorável que carrego por toda minha vida. E, como bônus track, a gente podia conversar e trocar informações sobre literatura, HQs e todo tipo de arte.

Eu nunca fui um músico. Sou incapaz de tocar bem qualquer instrumento. Isto é, de certa forma, uma grande decepção. Mas eu cantava e, estando sempre junto da galera que tocava, eu tive a oportunidade de fazer parte de várias “bandas de garagem” bem legais. Eram outros tempos, éramos jovens e tínhamos poucas oportunidades de tocar ao vivo, mas estávamos sempre correndo atrás e tentando fazer acontecer uma cena.

Como escrevia algumas letras, o caminho natural no final dos ’80 e começo dos ‘90 foi apostar em música autoral. Porém era ainda mais difícil. Se hoje não é muito fácil para bandas autorais divulgarem o trabalho e encontrar espaços pra tocar ao vivo, naquele tempo era ainda mais complicado. Por mais que a gente fizesse música boa e tivesse algo a dizer era muito difícil ter espaço pra tocar e divulgar o trabalho.

As minhas influências estão essencialmente no rock, passando por todos os estilos: Rock clássico, progressivo, hard rock, heavy metal, punk rock, e por aí vai. Como tudo isso nasce no blues não tem como não curtir. Sou de Piracicaba e crescer ouvindo muita música sertaneja de raiz faz a gente tomar gosto por música regional. E é claro que música brasileira sempre tem espaço na minha discoteca.

E também gosto muito de misturas musicais. Tem coisa muito inusitada e interessante: tem violeiro tocando rock, tem banda de rock misturando ritmos regionais. Lá fora a gente já ouviu misturas interessantes de rap com rock e metal. É muita coisa legal.

Hoje eu vejo (e ouço) algumas bandas novas batendo no liquidificador todas essas influências e criando música que soa antiga e nova ao mesmo tempo. São ciclos de reinventar tudo. Isso no mundo todo, sempre. E fico muito feliz que Piracicaba tem historicamente uma cena efervescente. Tem muita banda aqui na cidade fazendo música de qualidade.

Eu considero que a arte tem o propósito de modificar as pessoas! Então música boa (como todas as outras expressões artísticas) é a que nos toca e nos modifica. Uma música que acalma nossa alma, ou que nos inquieta levando a reflexões é a essência do que acredito.

PN - O que é um Luthier?

FEIO - A rigor, luthier é o profissional que constrói instrumentos de corda, incluindo também quem regula e repara instrumentos. Alguns utilizam o termo luthier, inclusive, para outros tipos de instrumento.

Aqui no meu ateliê eu me proponho a fazer todos os serviços em instrumentos de corda: construção, customização, manutenção e regulagem.

PN - Como nasceu essa paixão por fabricar instrumentos?

FEIO - Eu sempre fui um cara inquieto, desde garoto. Tipo aquele moleque que desmonta as coisas pra saber como funciona. Nem sempre conseguia montar de novo....rsrsrs

E com instrumentos não era diferente. Por falta de acesso a profissionais, a gente ia fuçando nas guitarras e baixos quando precisava (e quando não precisava também). Não tinha informação como tem hoje na internet, mas nessas fuçadas a gente ia aprendendo e meio que fazendo acontecer. Naquela época eu era “fucier”.

Alguns anos atrás eu estava trabalhando com TI em SP, afastado da música. Como tinha algumas noites livres, achei que era uma boa idéia voltar a me conectar com a música, fazer umas aulas de guitarra pra ocupar o tempo e ver se aprendia a tocar o mínimo. Mas a minha velha guitarra estava toda zuada.

Ao pesquisar onde poderia leva-la (um luthier, claro!), descobri uma escola de luthieria chamada B&H, de propriedade dos mestres Marcio Benedetti e Henry Ho. Me matriculei e comecei a estudar lá. Me apaixonei completamente e não parei mais. Minha guitarra continua zuada, porque não sobra tempo pra mexer na menina (além dela ser a cobaia preferida para várias coisas). E eu ainda não toco nadica de nada!


PN - Você desenvolve instrumentos artesanais, qual é a diferença nessa fabricação? Você cria Instrumentos Customizados também. Como é isso?

FEIO - O meu processo é todo artesanal. Não utilizo CNC em nenhuma etapa. Não tenho nada contra o uso de tecnologia de ponta auxiliando o processo porque ter a disposição um Centro de Usinagem computadorizado que executa os cortes com precisão é muito útil para padronizar processos, mas o profissional tem que ter demanda para isso.

A grande diferença é que cada instrumento vai ser realmente único. A ideia é criar um instrumento que permita ao artista se expressar sem que a sua “ferramenta” o limite. Então cada projeto vai levar em consideração um monte de coisas, tais como o estilo musical, a técnica e a pegada do músico, entre outras.

Digamos que você queira um instrumento de um modelo que eu já tenha feito a outro cliente, como uma Les Paul, por exemplo. Usaremos a mesma planta e as mesmas referências, mas sempre vai ter algum detalhe diferente. Esses detalhes têm a ver com a necessidade do músico, as peças (madeira, ferragens, captação) escolhidas. O instrumento artesanal sempre vai ser customizado por conta disso.

Faço também a customização de instrumentos de fábrica. A customização pode ser estética e/ou a reestruturação de aspectos de tocabilidade do instrumento, como afinar a espessura do braço, mudar o tipo de trastes ou captação do instrumento. O limite pra esse tipo de customização tem a ver com as características originais do instrumento e o que o músico deseja. Algumas vezes não dá pra deixar exatamente como o artista gostaria.


PN - Qual é a parte mais gratificante de ser um Luthier?

FEIO - Posso dizer que são dois os momentos que me deixam extremamente felizes: o primeiro é o momento em que o cliente vê e toca o instrumento logo após concluído o projeto e a hora que você vê o artista no palco. É sensacional e dá muito orgulho.

PN - Quem quiser ter um instrumento construído por você, como é o procedimento? É uma encomenda? Demora quanto tempo?

FEIO - No momento, todos os projetos são feitos por encomenda e o cliente acompanha in loco todas as etapas, tendo a oportunidade de testar e aprovar tudo. O tempo varia muito, por uma série de razões. Como toda matéria prima é criteriosamente selecionada (principalmente as madeiras), muitas vezes, o artista quer uma configuração para o instrumento e não temos as peças disponíveis. Em outros casos, existe uma limitação financeira que faz com que o projeto se desenvolva mais devagar. É muito difícil afirmar um prazo sem levar em consideração todos estes elementos.


PN - Agradecemos sua participação no Piracicaba News, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para todos os músicos Piracicabanos e também pra que se interessou pela arte de construir instrumentos.

FEIO - Eu que agradeço a oportunidade!

Se você é músico, siga em frente. Estamos vivendo um momento terrível, mas tudo isso vai passar. Sua arte é muito importante, mesmo que algumas pessoas achem que não. O mundo não seria bom sem arte!

Você que gostaria de construir instrumentos, o conselho é: corra atrás, estude. Erre e acerte que você chega lá. Se precisar de ajuda, conte comigo.

E aos músicos que pretendem ter o melhor instrumento, 100% adequado as suas necessidades é só entrar em contato que a gente conversa sobre o projeto, seja customização ou construção. Um grande abraço a todos!

Confira a entrevista que o Luthier Feio Tomaz concedeu a TV Câmara de Piracicaba:


*Veja mais fotos na Galeria abaixo

SERVIÇO:

Ateliê Feio Tomaz - (11) 98444-0378 (whatsApp)